
“..e então, no final da aula, quando todos saíam apressados buscando a liberdade lá fora, um deles, despretensiosamente, nos deixava uma maça sobre a mesa...”
Há muito se foi o tempo das maçãs dadas aos professores – eu mesmo nunca ganhei nenhuma – mas como me agrada ver que as maçãs, assim como os alunos, têm mudado cada vez mais. Uma das formas mais intensas de aferir esta mudança é com a aplicação de seminários.
Não aqueles seminários em que um tema é dado e, em uma atitude passiva, você ouve e dá nota aos que mais te agradaram. Tão pouco aqueles em que a cada fala o professor interfere, numa tentativa desnecessária de mostrar que também ele conhece o tema tratado. Mas sim, o seminário que envolve aos poucos, que desbrava os tímidos, que destrava línguas e falas, que compartilha e trabalha nossa capacidade mais necessária enquanto comunicação – a fala!
Esta tem sido a semana de início da colheita de maçãs. Das mais maduras às mais verdinhas. É tempo de conhecer um pouco os efeitos do preparo da terra, da irrigação à semente e o quanto cada uma das pequenas árvores que nos passam diariamente se fortaleceu.
É engraçado ver que mesmo com um trato igual a todas elas, cada uma voltou seus galhos de forma diferente ao gosto do mesmo vento. Sempre existem aquelas com um natural dom de desenvolvimento, que trazem boas maçãs com pouco esforço ou utilizando para isso o dom natural que sempre tiveram tanto na produtividade quanto na fala (especialmente, na fala). Estas são naturalmente produtivas, exigem menos. Há aquelas que, mesmo produtivas, insistem em guardar para si suas maçãs. Não por egoísmo, mas pela dúvida de saber se o fruto que têm a oferecer é bom ou não. Contudo, existem ainda aquelas franzinas, com frutos incertos, não maduros o suficiente mas que ainda assim nos ofertam o que têm, verdes... mas com um futuro de amadurecimento certo. É inegável que estas são as que mais me agradam; não pela fragilidade, mas pela certeza de que se tornarão fortes.
E então, em meio a todas as maçãs, ainda tem aquela árvore que mesmo ferida não se recusa a oferecer seu fruto e ainda que a colheita tenha que esperar mais um pouco suporta a dor dos galhos quebrados com um sorriso pequeno, mas sincero.
A colheita vai se estender por pelo menos duas semanas ainda, mas é bom dizer.... minhas maçãs são lindas!
Nossa que texto lindo. Que orgulho ter como mestre uma pessoa tão 'grande'! Obrigada por compartilhar conosco todo seu conhecimento. :)
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