quarta-feira, 2 de maio de 2012

Assessoria de imprensa... quanto vale seu reconhecimento?



Recentemente, em uma das turmas de assessoria de imprensa, a discussão sobre os passos para a implantação de um processo de comunicação precedeu uma das perguntas mais freqüentes nesta aula... “Professor, quanto cobrar por um trabalho como este?

Gosto de pensar que a pergunta seria “...como fazer seu trabalho ser valorizado” e, antes de formular qualquer resposta, penso que o respeito prévio já no processo de contratação de uma assessoria de imprensa é fundamental.

A resposta, algo profética, valeu-se de situação já vivenciada e, hoje, repetida. Explica-se. Desde outubro do ano passado tenho encaminhado propostas de assessoria em comunicação para um cliente em potencial e seu evento, algo gigante, que acontece no final deste mês.

Da total ignorância aos meus contatos às respostas improváveis como “ainda não tive tempo de abrir seu e-mail”, a melhor delas foi que o evento se daria em um local específico, longe de minha área de atuação e que provavelmente lá eu não teria tanto impacto na mídia.... Certo.... certo.... Tudo bem, sempre achei que jornalista é jornalista em qualquer canto, aqui ou lá, e que embora não freqüente a casa de nenhum deles na capital com a mesma freqüência como tenho com meus pares locais, meu trabalho seria o mesmo.... Tudo bem. 

E então, como isso acaba?

Quando estudamos projetos em assessoria de imprensa, junto a divulgação do próprio evento, temos que levar em conta que nosso papel de comunicadores deve também gerar lucro para este cliente. Ótimo aparecer em um noticiário de peso mas, efetivamente, quantas pessoas serão atraídas por esta matéria após sua publicação e se transformarão em lucro! 

Não crianças, não somos apenas comunicadores, mas parte do grande motor econômico de qualquer empresa ou evento e tão logo este motor comece a apresentar queda de produtividade, será em nós que serão apontados os dedos que antecedem os primeiros cortes.

Assim, para que um projeto de comunicação renda resultados positivos ao cliente e, em especial, a nosso próprio portfólio, é preciso um tempo mínimo onde as etapas de planejamento em comunicação sejam desenvolvidas a contento. Conhecer o cliente e suas expectativas, desenvolver uma estratégia de comunicação e ativá-la são processos que não se concretizam de um dia para outro.

Infelizmente, na grande maioria das situações, pensa-se em tudo. Do material gráfico aos jantares oferecidos. Das hospedagens dos palestrantes à marca de vinho servido em um happy hour ao final de um dia de discussões. Evento formatado, às vésperas de sua realização ou, pior, com número de inscrições ainda questionável para que possa ser realizado, lembra-se então da comunicação, da assessoria de imprensa. Tudo leva tempo e implica investimentos e, se sobrar, por fim, a comunicação... É isso mesmo? Infelizmente, às vezes, sim.

Visitas às redações, conhecer os jornalistas com os quais se trata e o perfil da imprensa atingida, o público que se quer alcançar e seus veículos segmentados, a realidade da região onde o mesmo vai se dar e, especialmente, conhecer seu contratante, são passos fundamentais que vão garantir senão um grande número de matérias, seguramente matérias de grande qualidade e retorno. Mais uma vez, nem todos vêem este processo e então, um mês antes do evento, você finalmente é lembrado e convidado a desenvolver um projeto com previsão orçamentária e perspectivas de retorno para algo no qual por pelo menos quatro meses você tentou trabalhar. Desculpe, a resposta é não.

Gosto de pensar que há muito já se foi o tempo em que trabalho devia ser segurado a qualquer preço em detrimento da qualidade com a qual o mesmo é realizado. Posso dizer com conhecimento de causa de que os resultados são piores para você do que para o próprio evento. É a sua imagem que fica e são suas futuras contratações que estão em jogo.

Então, quanto cobrar para um projeto de assessoria em comunicação? Sinceramente, duvido que alguém deixe de pensar duas vezes na hora de responder uma pergunta assim. As respostas podem ir da frieza de cálculos do número de horas gastas versus combustível versus telefone versus internet multiplicado por viagens e hospedagens e somados a seu potencial intelectual. Podem ainda ser dimensionadas com base no grau de afinidade que você tenha ao cliente ou evento proposto, mas, independente de cálculos, penso que o principal parâmetro é o quanto você, assessor de comunicação, será respeitado em suas condições de trabalho. 

Sim, jornalistas trabalham contra o tempo, mas existem situações em que até mesmo esta máxima se faz pensar. Profissionais de comunicação que se dedicam a esta área, jornalistas, RPs, cuidam diretamente da imagem de seus clientes e do sucesso dela esperado. Uma bela obra pode sim ser quebrada da noite para o dia, contudo, sua construção não se dá do dia para a noite.... tão pouco, como última opção de investimento! Pensem nisso.

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